Champagne é um espumante super exclusivo. Você sabe escolher e harmonizar um verdadeiro champagne francês?

 In CHAMPAGNE, VELHO MUNDO

Que champagne é um tipo de espumante super exclusivo, produzido na região de mesmo nome na França e sob rígidos critérios já é sabido de muitas pessoas. Mas você sabe como escolher, ou recomendar um champagne francês ?

Champagne é um vinho, branco na maioria das vezes, e que só pode conter as uvas chardonnay, pinot noir e pinot mauneir na sua composição. Produzido, obrigatoriamente, na Região de Champagne na França e pelo método champenoise, com a segunda fermentação realizada na garrafa. Neste momento surgem, naturalmente, o gás carbônico que dissolve-se no líquido e é liberado quando “estouramos” ou abrimos a rolha da garrafa e ele se apresenta em lindas borbulhas que dançam nas taças – o Perlage do espumante.

Neste momento já temos um produto de altíssima qualidade. Mas os champagnes ganham mais em qualidade e preço com algumas características que você vai conhecer aqui neste texto.

O tempo de amadurecimento na garrafa é uma característica importantes já que pode variar de no mínimo 15 meses para os não Vintages, 3 anos para os Vintages e mais tempo para os ultra premium – até 10 anos e em alguns casos mais tempo antes de saírem para o mercado.

Outras referências também ajudam a entender melhor o tipo e a qualidade da bebida e podem ser encontradas nos rótulos dos melhores champagnes.

De acordo com a micro região onde é produzido, o champagne pode receber denominações diferentes e que também definem a qualidade da bebida.

. . . AOC . . .

A região de Champagne é a única denominação para produção do champagne no mundo com um terroir exclusivo e com regras rígidas e constantemente revisadas que definem desde o cultivo, a colheita, vinificação, amadurecimento e apresentação do produto. A AOC ou Appellation d’Origine Contrôlée, reconhecida em 1927, é composta por micro vinhedos com terroir específicos dentro de quatro principais sub-regiões – Montagne de Reims, Côte des Balnc, Vallée de ma Marne e Côte des Bar. Dos 200 vilarejos classificados, 17 recebem a denominação de Grand Crus que são a elite das regiões e 43 Premier Crus, com o segundo nível de classificação. Os Grand Crus e os Premier Crus exibem as denominações nos rótulos.

Os 17 Grands Crus são: Ambonnay, Avize, Aÿ, Beaumont sur Vesle, Bouzy, Chouilly, Cramant, Louvois, Mailly- Champagne, Le Mesnil sur Oger, Oger, Oiry, Puisieulx, Sillery, Tours-sur-Marne, Verzenay, Verzy.

. . . CLASSIFICAÇÃO . . .

Em relação ao tipo, a bebida pode ser classificada em:

  • NV ou sans Année são os champagnes compostos por castas de vários anos e devem ser consumidor jovens, em até dois anos.
  • Millésimes ou Vintage produzidos com 100% de uvas de uma colheita excepcional e podem ser armazenados por até 10 anos (a partir de data da colheita)
  • Cuvée de Prestige são os mais prestigiados. Produzidos em pequenas quantidades, com altíssima qualidade (vinho base) e consequentemente são os mais caros. São bebidas que ganham complexidade com o tempo na garrafa, por décadas. Entre eles: Dom Pérignon da Moet & Chandon, Cristal da Louis Roederer e Belle Epoque de Perrier Jouet.
  • Cuvée é o assemblage (ou mistura) que vários cuvées (vinhos de um recipiente)

. . . DOÇURA . . .

Outro fator importante é o nível de doçura da bebida pois existem opções dos mais secos aos mais suaves (doces). Identificar o nível de doçura é importante para não errar na hora de escolher e principalmente de servir com a comida escolhida.

Classificação do Champagne quanto ao teor de açúcar:

  • Extra-brut – entre 0 e 6 gramas de açúcar por litro (g/l)
  • Brut – menos de 12 g/l.
  • Extra Dry – de 12 a 17 g/l.
  • Sec (ou Dry) – de 17 a 32 g/l.
  • Demi-sec – de 32 a 50 g/l.
  • Doux – mais de 50 g/l.

Os champagnes Brut Nature, pas dosé ou dosage zero contém zero ou menos de 3g de açúcar por litro.

. . . HARMONIZAÇÃO . . .

Geralmente relacionada a grandes celebrações, festas de réveillon e encontros românticos, a champagne pode proporcionar uma excelente experiência a mesa. De grande versatilidade, especialmente pelas diferentes dosagens de açúcar vai dos aperitivos até a sobremesas.

Algumas receitas clássicas são amplamente divulgadas em livros de receitas, site de gastronomia e até em filmes, como os tradicionais blinis com caviar e canapés de salmão defumado, mas a criatividade pode e deve ser explorada.

De forma geral a harmonização deve observar dois princípios fundamentais: a harmonização e o equilíbrio. Harmonização ideal é quando sabores parecidos são apresentados em conjunto, ou seja, quando a sensação do sabor da bebida lembra os sabores de um prato como por exemplo: doce de um champagne doce com o doce de uma sobremesa. Ou no equilíbrio mútuo entre dois sabores contrastantes para resultar num paladar agradável como a combinação da bebida ácida com doce ou com gorduroso.

Mas de forma geral podemos harmonizar o champagne com as etapas da refeição:

  • Entradas – champagne brut para despertar o apetite servido com aperitivos e pratos leves com camarão, peixe defumado, carpaccio leve e frutas
  • Pratos principais – champagne brut ou extra-dry branco ou rosé.  Pratos com peixes como salmão ou linguado, lagosta, camarões com molhos leves. Carnes brancas vão bem com champagnes mais secos e se usar molho mais encorpado para peixes harmonizar com um Blanc de Noir. Evitar carnes vermelhas e molhos fortes
  • Sobremesas – champagne demi-sec ou doce especialmente nas sobremesas com leite e baunilha